Mais de 19 mil horas de vídeo transcritas em apenas um ano
18.000 processos analisados automaticamente pela IA por dia
Geração assistida de milhares de minutas de peças processuais por mês
Ganho de confiabilidade técnica para o trabalho dos promotores
Democratização do acesso à IA, permitindo buscas semânticas em tempo real e cruzamento de dados
Com o apoio da Xertica.ai, o MPRS transformou a IA em uma capacidade institucional governada e escalável. Ao implementar a plataforma Aurora sobre a infraestrutura do Google Cloud e modelos Gemini, o órgão quebrou silos geográficos, democratizou o conhecimento jurídico e converteu um acervo massivo de dados em inteligência acionável para seus promotores
O Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul (MP-RS) é uma instituição fundamental do ecossistema de Justiça, atuando em 497 municípios gaúchos com o apoio de mais de 4.000 colaboradores e 730 promotores e procuradores.
Diante de uma digitalização acelerada do setor, o órgão enfrentava o desafio de lidar com um volume massivo e crescente de processos eletrônicos, documentos sigilosos e mídias digitais, como vídeos de audiências e depoimentos. O cenário exigia não apenas maior produtividade, mas também a garantia de uniformidade, rastreabilidade e segurança rigorosa no tratamento de dados sensíveis sob a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Historicamente, um dos principais desafios institucionais era lidar com o enorme volume de materiais probatórios em diferentes formatos — especialmente processos físicos digitalizados como imagem, além de vídeos e áudios. Como esses conteúdos não eram pesquisáveis por texto, a análise dependia de horas de busca manual.
Foi ao avaliar todos esses pontos que a instituição recorreu ao mercado, e percebeu que as soluções convencionais oferecidas eram fragmentadas e exigiam alta proficiência técnica dos usuários em engenharia de prompts. Havia a necessidade estratégica de democratizar o acesso à inteligência artificial, criando uma infraestrutura que permitisse a qualquer servidor do Ministério obter respostas uniformes e seguras.
Para nós, nesta jornada, o diferencial decisivo foi a capacidade multimodal nativa da família de modelos Gemini, que se mostrou superior no processamento simultâneo de áudio, vídeo e imagens, tanto nos processos antigos como nos atuais.
João Cláudio Pizzato Sidou
Subprocurador-Geral de Justiça de Gestão Estratégica, MPRS
Além disso, a arquitetura on-premise já não suportava a crescente demanda, tornando a migração para a nuvem uma necessidade inegociável para garantir escalabilidade e evitar a obsolescência imediata dos recursos.
Assim surgiu a idealização da plataforma Aurora, com o objetivo de sanar essas questões e avançar tecnologicamente. Depois, a decisão pelo Google Cloud foi consolidada a partir de um rigoroso processo de licitação e prova de conceito com mais de 600 quesitos de avaliação técnica e de arquitetura. A proposta da empresa parceira, Xertica.ai, superou as expectativas ao atingir 99,7% de assertividade nos testes de resposta jurídica.
Neste contexto, a Aurora emerge como uma infraestrutura cognitiva institucional. Rompendo os silos de dados e transformando todos os materiais em conteúdo pesquisável e de fácil acesso, a plataforma atua como um colega de trabalho. O foco de seu valor se destaca em como ela permitiu absorver novos paradigmas de fluxo de trabalho na Justiça, impulsionando uma verdadeira reinvenção processual.
A implementação da plataforma Aurora foi planejada em ciclos iterativos para garantir uma transição cultural suave e ganhos rápidos de produtividade. O processo teve início em agosto de 2023 com a formação da Comissão de Avaliação, seguido pelo desenho do modelo da plataforma e a redação de um edital rigoroso no início de 2024. Após uma fase intensa de provas de conceito entre junho e agosto de 2024, a arquitetura baseada em Google Cloud foi selecionada.
A ferramenta oferece mobilidade total, para que os promotores acessem informações cruciais via dispositivos móveis durante audiências ao vivo. A criação de um banco colaborativo de prompts também democratiza o conhecimento, cooperando para que as melhores instruções de usuários avançados sejam compartilhadas com toda a instituição.
João Cláudio Pizzato Sidou
Subprocurador-Geral de Justiça de Gestão Estratégica, MPRS
A linha do tempo de lançamento foi dividida em entregas modulares, priorizando o amadurecimento técnico e a sincronização das equipes. A primeira versão, focada no motor de transcrição, foi ao ar em outubro de 2024. Em maio de 2025, estreou o módulo "Aurora Análise" e, em julho, o módulo de redação de peças. O lançamento oficial da plataforma completa ocorreu em setembro de 2025, com a homologação final realizada em novembro.
Essa estratégia de fases distintas foi adotada para priorizar "quick wins", como a transcrição de vídeos, que resolvia uma dor imediata dos usuários. Além disso, o faseamento facilitou a adaptação do sistema de acordo com o feedback real dos promotores.
Hoje, a solução utiliza uma robusta stack do Google Cloud para sustentar o processamento de grandes volumes de dados. O Google Kubernetes Engine e o Cloud Run orquestram o processamento e microsserviços, enquanto o Vertex AI disponibiliza os modelos Gemini 2.5 Flash e 3 Flash para transcrições e análises multimodais.
Para a gestão de dados, o BigQuery é utilizado em análises históricas e o Cloud Storage armazena o vasto acervo de mídias e PDFs, tudo integrado via Pub/Sub para ingestão assíncrona de processos.
Muito além da automação de tarefas, a Aurora funciona como um apoio estratégico para a atuação jurídica. A plataforma transforma horas de mídia e documentos legados em informação acessível, permitindo que promotores cruzem depoimentos rapidamente e avaliem a consistência de teses antes mesmo da elaboração de recursos. Esse suporte também chega à sala de audiência: pelo celular, o promotor consegue consultar informações em tempo real, confrontar dados durante depoimentos e ganhar mais agilidade na tomada de decisão em momentos críticos.
A inteligência da plataforma é potencializada pela técnica de grounding, que ancora as respostas da IA estritamente nos fatos e metadados do processo judicial em análise, minimizando erros. Baseada em uma arquitetura de agentes especializados, a Aurora realiza análises massivas de provas e localiza informações relevantes com rapidez e precisão, mesmo em grandes volumes de dados. A plataforma também permite análises paralelas de múltiplos processos. Na prática, promotores podem submeter listas inteiras de casos e definir critérios específicos para que a IA identifique automaticamente situações de maior gravidade ou relevância investigativa.
Isso torna a triagem mais estratégica, prioriza situações críticas e amplia a capacidade analítica das equipes na condução de investigações complexas.
"O diferencial decisivo não foi apenas a tecnologia, mas a capacidade de implementá-la de forma ancorada na nossa realidade jurídica. Quando capacitamos nossos promotores a realizar a análise massiva de provas e localizar informações vitais em segundos, deixamos de apenas ganhar tempo operacional para efetivamente garantir justiça”, comenta João Cláudio Pizzato Sidou, Subprocurador-Geral de Justiça de Gestão Estratégica do MPRS.
Os resultados da Aurora evidenciam ganhos de escala, mas além disso, uma nova capacidade analítica para o Ministério Público. Em apenas um ano, a plataforma analisou mais de 19 mil horas de arquivos de áudio e vídeo, transformando depoimentos, audiências e evidências em informação estruturada, pesquisável e contextualizada em segundos.
A Aurora amplia a capacidade estratégica de atuação dos promotores, permitindo identificar conexões, contradições, padrões e provas relevantes com muito mais rapidez — especialmente em casos complexos e sensíveis.
A plataforma também é capaz de processar uma média de 18 mil processos judiciais por dia, apoiando a geração assistida de milhares de peças jurídicas mensais com inteligência contextual e apoio à tomada de decisão.
Na prática, isso significa que análises que antes dependiam exclusivamente de leitura manual e longas horas de revisão agora podem ser priorizadas de forma mais inteligente. Para o cidadão, o impacto é direto: respostas mais ágeis, maior capacidade de análise e redução do tempo entre o recebimento de uma demanda e sua efetiva avaliação.
A meta é transformar a Aurora em um ecossistema colaborativo, onde novas funcionalidades possam ser plugadas conforme surgem os desafios sociais. Mantendo a centralidade humana e a ética como bússolas, o Ministério reafirma sua missão, utilizando a tecnologia para garantir uma prestação jurisdicional mais transparente e eficiente.
João Cláudio Pizzato Sidou
Subprocurador-Geral de Justiça de Gestão Estratégica, MPRS
Outra vantagem fundamental é a democratização e a segurança no uso da IA. A implementação de protocolos de IA Responsável e técnicas de grounding assegura que as respostas sejam éticas, precisas e livres de "alucinações", respeitando o sigilo absoluto dos dados sensíveis. Isso confere à instituição mais confiança para atuar em casos complexos, como crimes de discurso de ódio e abusos sexuais, onde a sensibilidade no trato da informação é crítica.
O projeto também gerou um benefício cultural importante: a redução do retrabalho burocrático. Ao automatizar tarefas repetitivas de redação e resumo, a tecnologia devolve ao promotor o tempo necessário para a análise jurídica profunda e o atendimento direto ao cidadão.
A sustentabilidade financeira e a escalabilidade, por outro lado, são alguns dos outros diferenciais. O modelo elástico do Google Cloud permitiu ao MP-RS pagar apenas pelo processamento utilizado, eliminando custos significativos de manutenção de servidores físicos.
Diante desse cenário, a Aurora passa a ocupar um papel cada vez mais estratégico na atuação do Ministério Público, apoiando análises, contextualizadas e orientadas por dados. A plataforma já contribui para a identificação de padrões, conexões e tendências relevantes em diferentes frentes de atuação, fortalecendo a capacidade analítica e investigativa da instituição.
Outro diferencial da Aurora está na forma como a inteligência da plataforma é construída e evolui dentro da própria instituição. A solução adota uma abordagem human-in-the-loop, na qual a tecnologia atua como apoio à atuação ministerial, mantendo a supervisão, validação e tomada de decisão sempre sob responsabilidade humana.
A adoção orgânica disparou porque fugimos da armadilha da produtividade superficial. Com a nossa Biblioteca Colaborativa de Prompts, convertemos a genialidade individual em um ativo de todo o Ministério Público, rompendo silos operacionais e elevando a qualidade da prestação jurisdicional em todo o Estado.
João Cláudio Pizzato Sidou
Subprocurador-Geral de Justiça de Gestão Estratégica, MPRS
Por meio da Biblioteca Colaborativa de Prompts, promotores e equipes compartilham instruções, modelos e boas práticas que podem ser reutilizados e aprimorados coletivamente. Esses conteúdos passam por processos de validação e curadoria, recebendo selos de aprovação da governança institucional para garantir qualidade, confiabilidade e aderência jurídica.
Na prática, isso transforma conhecimento individual em patrimônio coletivo, promovendo padronização, disseminação de expertise e aceleração da curva de aprendizado entre equipes, sem abrir mão da autonomia intelectual e do papel estratégico dos promotores na condução de cada caso.
Com isso, o Ministério Público avança na construção de uma operação mais estratégica, capaz de direcionar recursos, conhecimento e capacidade investigativa de forma mais eficiente diante do crescente volume e complexidade das demandas.
A atuação da Aurora também gera impacto direto na esfera extrajudicial, fortalecendo a capacidade do Ministério Público de atuar na defesa de direitos difusos, coletivos e na proteção de cidadãos em situação de vulnerabilidade.
Ao apoiar a análise de grandes volumes de informações, evidências e processos de forma estruturada e contextualizada, a plataforma contribui para que denúncias, indícios e situações de risco sejam avaliados com mais rapidez e profundidade, especialmente em casos que exigem alta capacidade investigativa e sensibilidade institucional.
Esse suporte é particularmente relevante em frentes como proteção à infância, direitos humanos, violência contra grupos vulneráveis, crimes de ódio e outras situações em que o tempo de resposta pode impactar diretamente a proteção das vítimas e a efetividade da atuação ministerial no impacto social.
Como próximos passos, a estruturação inteligente desses dados processuais prepara o MPRS para uma gestão cada vez mais orientada por dados, contexto e especialização. Entre os próximos passos da evolução da Aurora, está o Skill-Based Routing, modelo em que a distribuição de processos poderá considerar competências, experiência e especialidades dos servidores — e não apenas critérios geográficos.
A visão de futuro também inclui iniciativas de georreferenciamento e análise contextual de dados para apoiar a identificação de padrões, recorrências e tendências criminais em diferentes regiões e frentes de atuação.
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) é uma instituição autônoma que atua na defesa dos direitos do cidadão, como o direito à vida, à saúde e à liberdade, além de zelar pela correta aplicação das leis.
Indústria: Setor Público
Localização: Porto Alegre, Brasil
Produtos: BigQuery, Cloud Run, Cloud Storage, Gemini 2.0 Flash, Google Kubernetes Engine, Pub/Sub, Vertex AI
Xertica.ai - partner do Google Cloud
A Xertica.ai é uma empresa especializada em soluções Gen AI e consultoria na nuvem que promove a inovação na América Latina por meio do uso responsável da inteligência artificial.
